
Para mim, Luís Freitas Lobo é o melhor comentador português de futebol de todos os tempos. Depois de nomes como Rui Tovar ou Gabriel Alves, penso que é Freitas Lobo quem tem melhor clarividência e conhecimento futebolístico que permite àquele que o ouve ou lê - que tenha já um conhecimento médio de futebol, vamos assim dizer - tomar conhecimento com algumas peças de um puzzle que por vezes pode ser um pouco mais complexo do que um simples 4-4-2 ou 4-3-3. Só para dar um exemplo, para Freitas Lobo, no futebol nem existe sorte ou azar; existe sim é gestos técnicos bem executados, ou mal executados. E, pensando bem, é bem capaz de ter razão.
É verdade que hoje comentadores na nossa praça não faltam, e são de sublinhar, a meu ver, nomes como Bruno Prata ou António Tadeia, e até Carlos Daniel que, não sendo comentador, muito contribui para uma análise futebolística bem mais clara. O facto de todos estes nomes terem ligação à RTP é um mero acaso; mesmo.
Feito este ponto prévio, julgo que Freitas Lobo tem dois defeitos. Pois claro; não há bela sem senão... O Figo também foi (ou é) pesetero e Ronaldo (pelo menos para aqueles que pouco percebem de futebol e preferem a versão cor-de-rosa do mesmo) nem sempre é consensual. E que diabo, até o Zidane agrediu um jogador na sua última partida de sempre. Portanto, dizia eu, não há bela sem senão.
O primeiro defeito de Freitas Lobo, se me é permitido apontá-lo, é semelhante às birras que Ronaldo faz quando falha um drible ou quando o árbitro não lhe assinala a falta que ele tanto se esforçou para cavar. Freitas Lobo, quando opina em simultâneo com outros comentadores, e quando a sua opinião não é consensual no auditório - é raro, mas acontece -, Freitas Lobo desconcentra-se um pouco emocionalmente, mas, pior, parece não aceitar bem quando é criticado ou quando não existe convergência de ideias. É pena, e podia e devia estar bem acima disso. Mas este defeito é o menos importante. Adiante.
Freitas Lobo é contra os meios tecnológicos (pelo menos grosso modo) no futebol. Diz ele que pararia muito o jogo. Que haveriam muitas quebras. Etc.
Quer dizer, é uma falácia pura dizer que no futebol não existem paragens. E que no ténis, ok, porque pára muito. No futebol o tempo regulamentar é de 90 minutos. Em média, o tempo útil de jogo oscila entre os 50 e os 60 minutos. Ora, quebras e paragens de jogo, penso eu, é o pão nosso de cada dia do futebol. E quer dizer, acontece que é nos casos mais polémicos (como o golo de Lampard frente à Alemanha) onde se perde mais tempo e onde há mais sururus. Logo aqui, perdendo 5 segundos a ver as imagens (em vez para aí dos 30 segundos que 22 jogadores andaram de roda do fiscal de linha e do árbitro com ar de assustado), o lance teria sido validado imediatamente. Se me dizem que o recurso ao vídeo fizesse com que o jogo em vez de 50 ou 60 minutos passasse a ter 30 ou 40, eu simplesmente não acredito nisso.
Isto nos polémicos. Nos não polémicos, e para não ferir susceptibilidades àqueles que acham que o recurso ao vídeo iria parar muito o jogo, julgo que a regra usada no ténis é bem sensata. Pode recorrer-se ao vídeo (no caso do ténis, o olho de falcão) 3 vezes. Se a decisão for em nosso prol, então não se gastou essa vez. Se o recurso ao vídeo mostra que a equipa que pediu o recurso não tem razão no lance, a vez foi gasta. Esta seria uma forma, seguindo as pegadas do ténis (jogos diferentes, mas a lógica aqui seria exactamente a mesma...), em nome de um futebol mais justo, mais verdadeiro, mais rigoroso.
Em nome também de uma maior transparência (tentando não correr agora o risco de parecer o Rui Santos) em matéria de dinheiro. Porque o futebol move milhões, e por vezes, uma decisão bem ou mal tomada, é a diferença directa entre, por exemplo, o Guimarães entrar numa Liga dos Campeões ou não, como aconteceu num fora-de-jogo mal tirado há dois ou três anos. É disto que falamos. E o simples recurso ao vídeo teria tornado os cofres do clube minhoto mais cheios. Não pode o espectador em casa ter o recurso ao vídeo constante, assistindo a um jogo, e, depois no campo, existe outro completamente diferente. Chega.








