segunda-feira, 5 de julho de 2010

Freitas Lobo



Para mim, Luís Freitas Lobo é o melhor comentador português de futebol de todos os tempos. Depois de nomes como Rui Tovar ou Gabriel Alves, penso que é Freitas Lobo quem tem melhor clarividência e conhecimento futebolístico que permite àquele que o ouve ou lê - que tenha já um conhecimento médio de futebol, vamos assim dizer - tomar conhecimento com algumas peças de um puzzle que por vezes pode ser um pouco mais complexo do que um simples 4-4-2 ou 4-3-3. Só para dar um exemplo, para Freitas Lobo, no futebol nem existe sorte ou azar; existe sim é gestos técnicos bem executados, ou mal executados. E, pensando bem, é bem capaz de ter razão.


É verdade que hoje comentadores na nossa praça não faltam, e são de sublinhar, a meu ver, nomes como Bruno Prata ou António Tadeia, e até Carlos Daniel que, não sendo comentador, muito contribui para uma análise futebolística bem mais clara. O facto de todos estes nomes terem ligação à RTP é um mero acaso; mesmo.


Feito este ponto prévio, julgo que Freitas Lobo tem dois defeitos. Pois claro; não há bela sem senão... O Figo também foi (ou é) pesetero e Ronaldo (pelo menos para aqueles que pouco percebem de futebol e preferem a versão cor-de-rosa do mesmo) nem sempre é consensual. E que diabo, até o Zidane agrediu um jogador na sua última partida de sempre. Portanto, dizia eu, não há bela sem senão.


O primeiro defeito de Freitas Lobo, se me é permitido apontá-lo, é semelhante às birras que Ronaldo faz quando falha um drible ou quando o árbitro não lhe assinala a falta que ele tanto se esforçou para cavar. Freitas Lobo, quando opina em simultâneo com outros comentadores, e quando a sua opinião não é consensual no auditório - é raro, mas acontece -, Freitas Lobo desconcentra-se um pouco emocionalmente, mas, pior, parece não aceitar bem quando é criticado ou quando não existe convergência de ideias. É pena, e podia e devia estar bem acima disso. Mas este defeito é o menos importante. Adiante.


Freitas Lobo é contra os meios tecnológicos (pelo menos grosso modo) no futebol. Diz ele que pararia muito o jogo. Que haveriam muitas quebras. Etc.


Quer dizer, é uma falácia pura dizer que no futebol não existem paragens. E que no ténis, ok, porque pára muito. No futebol o tempo regulamentar é de 90 minutos. Em média, o tempo útil de jogo oscila entre os 50 e os 60 minutos. Ora, quebras e paragens de jogo, penso eu, é o pão nosso de cada dia do futebol. E quer dizer, acontece que é nos casos mais polémicos (como o golo de Lampard frente à Alemanha) onde se perde mais tempo e onde há mais sururus. Logo aqui, perdendo 5 segundos a ver as imagens (em vez para aí dos 30 segundos que 22 jogadores andaram de roda do fiscal de linha e do árbitro com ar de assustado), o lance teria sido validado imediatamente. Se me dizem que o recurso ao vídeo fizesse com que o jogo em vez de 50 ou 60 minutos passasse a ter 30 ou 40, eu simplesmente não acredito nisso.


Isto nos polémicos. Nos não polémicos, e para não ferir susceptibilidades àqueles que acham que o recurso ao vídeo iria parar muito o jogo, julgo que a regra usada no ténis é bem sensata. Pode recorrer-se ao vídeo (no caso do ténis, o olho de falcão) 3 vezes. Se a decisão for em nosso prol, então não se gastou essa vez. Se o recurso ao vídeo mostra que a equipa que pediu o recurso não tem razão no lance, a vez foi gasta. Esta seria uma forma, seguindo as pegadas do ténis (jogos diferentes, mas a lógica aqui seria exactamente a mesma...), em nome de um futebol mais justo, mais verdadeiro, mais rigoroso.


Em nome também de uma maior transparência (tentando não correr agora o risco de parecer o Rui Santos) em matéria de dinheiro. Porque o futebol move milhões, e por vezes, uma decisão bem ou mal tomada, é a diferença directa entre, por exemplo, o Guimarães entrar numa Liga dos Campeões ou não, como aconteceu num fora-de-jogo mal tirado há dois ou três anos. É disto que falamos. E o simples recurso ao vídeo teria tornado os cofres do clube minhoto mais cheios. Não pode o espectador em casa ter o recurso ao vídeo constante, assistindo a um jogo, e, depois no campo, existe outro completamente diferente. Chega.

4 comentários:

C. disse...

Nao sabia de um andre pró-tecnologia no futebol. ;)
Gostei de ler, sim senhor, boa posta.

André disse...

foi um bocado feito à pressao, podia tar melhor arrumado, mas gracias :)

Miguel disse...

Concordo com os argumentos que tu disseste,por isso, resta-me acrescentar só que algo que me irrita nas discussões deste tema é que o erro humano faz parte do jogo. Bah! Claro que faz parte,mas dos treinadores e jogadores, não árbitros.

Já que o jogo tem regras, estas devem ser para cumprir,logo algo que ajude a tal só pode ser benéfico, digo eu...

Eu imagino se o Blatter fosse presidente da Fifa ha muito mais tempo.
"O que?! Mas a bexiga do porco funciona tão bem, ja usamos isso ha tanto tempo,faz parte do jogo. Mudar agora para bolas forradas em couro, não mesmo!"

"Realizar os jogos em relva? Não faz parte do jogo, desde o inicio que se usa o tipo de campo pelado, o desporto que adoramos começou aqui, porque mudar, nem pensar!"

André disse...

Miguel, gosto das tuas duas últimas provocações. ahah. E nem tinha pensado na coisa nesses termos. Mas realmente, dá vontade de chegar a esse ridículo, não é?

Enfim, olha que não é só Blatter, infelizmente. Temos também um Platini que afirmou não faz muito tempo, que a arbitragem está fraca por culpa da Televisão (ou algo do parecido). O que é de loucos, pois dá vontade de dizer, pela mesmo lógica, que só há crimes porque existem tribunais.