segunda-feira, 30 de maio de 2011

Vida, Mundo, Universo. Quê?




Para que é que isto serve?

O que raio estamos cá a fazer?

Ok: nascemos, crescemos, aprendemos, vivemos, tiramos um curso (ou não tiramos um curso), choramos, rimos.

Temos alegrias e temos infelicidades. Sim, 'tá bem, mas e depois? So what? Isso serve para alguma coisa em especial?

Note-se: a minha dúvida existencial é somente racionalista. Claro que adoro rir. Claro que odeio sentir-me infeliz. Mas isso não é agora chamado para o caso. Não é disso que isto se trata, de todo. A minha questão é mais a montante (ou a jusante, como preferirem).

Namoramos. Pelo meio casamos até e empregamo-nos. Temos filhos. Divorciamo-nos (ou não). Dou pulos (ou não). Corro, transpiro, exercito-me. Não corro, não pulo, sou sedentário. Ok.

Mas isto serve para alguma coisa em especial, a nossa existência ou presença neste mundo (e isso se não quisermos perguntarmo-nos para que raio serve o «mundo» ou lá o que isso seja)?

Casei ou divorcei-me; um belo dia tenho 50 ou 60 anos de idade. Vinte anos depois morro de uma coisa qualquer. O mesmo aconteceu com os meus antecessores e o mesmo acontecerá com os meus sucessores até um belo dia a nossa raça ser completamente extinta (sim, porque nós só vivemos no planeta Terra sensivelmente há um dia, à escala universal, o que não deixa de ser caricato no meio desta conversa toda).

Nasci, vivi e morri. E para quê? Para que fim? Ahhh porque foste feliz e tiveste muitos filhotes. 'Tá bem amigo, mas para quê? Isso serve para quê, afinal? O que é que isso fornece ao «universo», à «vida» ou ao «mundo», hum? Qual é o objectivo?

Para que é que a minha vida, a roçar a insignificância, serve? Pergunto eu, honestamente.

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Fui ver o The Tree of Life. Gente houve que a meio deixou a sala de cinema, só for the record. Também não achei que fosse caso para tanto.

O filme é muito bem feito, tecnicamente, mas de difícil ingestão, não há qualquer dúvida.

Fui ler algumas reviews do imdb. Ah e tal este filme faz-nos pensar sobre a vida. Ah, sim? Ah o objectivo é para que nos questionemos sobre as nossas origens; como é que chegámos aqui? E porquê? Ok, amigo. Mas a sério, estás a pensar nisso agora, pela primeira vez na tua vida, por causa deste filme? Bolas, amigo.

Fui para o filme preparado para ver algo mais lento e sóbrio - sabia que assim seria. O que não estava nada preparado era para sair da sala de cinema sem o filme me pôr a pensar rigorosamente nada sobre a «vida». Penso sobre a «vida» muitas vezes. A reflexão lá acima é só uma de entre várias que às vezes me vêm à cabeça, já discutida (quase sempre em jeito de brincadeira, que remédio) com amigos.

Penso que o filme não ofereceu uma reflexão sequer perto disto e foi por isso uma desilusão desse ponto de vista.

Nota mais para Brad Pitt e Jessica Chastain que estiveram soberbos.

Se calhar a vida vale por isto... para poder presenciar o que de bom tem. Ah mas também levas com o que de mau tem, pois claro que levas. Dessa não te escapas, amigo.

(e isso serve para quê, mesmo?)

8 comentários:

ZenIt disse...

Serve para.... quanto mais não seja perguntares para o que é que serve... ;-).

André disse...

Vim do treino, li o teu comentário, fui jantar, reli o comentário e fiquei a pensar.

Conclusão: o teu comentário deixou-me a pensar mais sobre a «vida» do que o próprio filme The Tree of Life.

Só por isso, obrigado ;)

S' disse...

a vida não é para ser pensada, é para ser vivida. Se perdes tempo a pensar na vida, não a vives. Certo? Certíssimo.

André disse...

Certo. Mas de quando em vez não tem mal pensar sobre a vida. Dá-me gozo pensar sobre o desconhecido e o incompreensível.

Rosie disse...

Ainda não tive oportunidade de ver mas estou ansiosa. E admito que estou com altas expectativas! Mas calculo que seja um filme de "dificil de gestão" e que não cria unanimidade. Ganhou a palma de ouro em Cannes mas deu muito que falar!

André disse...

Olá Rosie :)

Eu também estava ansioso e também tinha altas expectativas... dica de amigo: baixa-as só um bocadinho ;)

Não criou unanimidade e ao que consta foi bastante criticado negativamente pela crítica.

Carlota Siéva disse...

nunca vais saber quão Carlota é este post!

André disse...

Então porquê? ;)