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segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Dúvida existencial do dia
O que nasceu primeiro? O ovo ou a galinha?
O que traça o rumo económico de um país? Uma ideologia política ou uma visão económica sem intrusão daquela?
Se um economista tem a visão xis e entende esta visão como a que melhor defende os interesses do seu país, assim que esse economista passa a ter uma cor partidária a defender muda a sua visão inicial em relação à economia desse mesmo país ou mantém-se fiel aos seus princípios económicos?
Defende-se mais o interesse partidário ou defende-se mais o desenvolvimento sustentado de uma nação?
A que sardinha é que se puxa mais a brasa?
Estou confuso. Muito confuso.
Mas ficam as questões.
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Política
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Histórico para o bem e para o mal
Foto: Alberto Frias, Expresso
Pela primeira vez, à terceira.
E pela primeira vez, uma mulher.
Bem-vinda.
Foto: Sol
Já este episódio, foi escusado.
Mas no final, tudo está bem quando acaba bem. A Casa da Democracia saiu a ganhar.
Pela primeira vez, à terceira.
E pela primeira vez, uma mulher.
Bem-vinda.
Foto: Sol
Já este episódio, foi escusado.
Mas no final, tudo está bem quando acaba bem. A Casa da Democracia saiu a ganhar.
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Política
sexta-feira, 17 de junho de 2011
O XIX Governo Constitucional
Gosto do elenco. Gosto da táctica 4-3-4. Quatro ministros do PSD, três do CDS e quatro independentes. É simpático. E Nobre fora do Governo, tal como Passo Coelho tinha dito desde que se candidatou (apesar do primeiro erro em convidá-lo para a Presidência da AR).
Passos Coelho, o «líder natural», segundo dizem. Aquele que lá nas reuniões, entre eles, bate com o pé quando é preciso e define linhas orientadoras. É positivo.
Paulo Portas, um dos mais experientes do elenco. Não há muito a dizer e já era mais ou menos sabido que ficaria com a pasta dos Negócios Estrangeiros. Assenta-lhe melhor que a da Defesa, sinceramente.
Vítor Gaspar, independente, não conhecia. Diz que é uma «troca de experiência política por competência técnica». Homem com ligações ao BCE e à Comissão Europeia. Pois bem, que nos tragam frutos e que seja de facto competente, é o meu desejo.
Miguel Relvas, o public relations do Governo. Nada a dizer. Excelente. É para isso que está talhado e já desempenhava esta função quando Passos Coelho foi eleito líder do PSD. Agora será só (quase) uma continuação do seu trabalho. Adora futebol e adora o Sporting, sendo sócio do clube. Notas positivas.
Miguel Macedo, o último líder parlamentar do PSD. Esteve irrepreensível nessa função e muito à altura do desafio nos frente-a-frente com Sócrates na AR. Espero por isso que desempenhe a sua nova função (Administração Interna) exactamente com o mesmo discernimento. Chega e sobra.
Paula Teixeira da Cruz na Justiça. Não sou grande fã, mas acredito e espero que cumpra.
Aguiar-Branco na Defesa. Também não sou grande fã e temo por esta pasta governativa. Chegou a ser ministro da Justiça no curto Governo de Santana Lopes. Vamos ver no que dá.
Assunção Cristas na Agricultura, Ambiente e Ordenamento. Sou fã desta senhora. Mesmo. Política muito consistente, capaz, jovem. A mais jovem do Governo, aliás. Quando me falam na Joana Amaral Dias (por quaisquer razões que sejam, políticas ou menos políticas...) eu exclamo logo: quê?! Metam antes os olhos na Assunção Cristas, por favor. Deus queira que cumpra bem a sua nova função. Parece-me que não seria a pasta ideal para ela, mas como mais nova que é, cheira-me que ficou com a «fava».
Pedro Mota Soares, na Segurança Social. Deputado há mais de dez anos este é um político com muita rotina, com muito traquejo político e talvez demasiado afastado de uma realidade mais técnica e prática (não sei). Sei que é bom no combate, na discussão e no confronto (daria por exemplo um excelentíssimo ministro dos Assuntos Parlamentares num hipotético Governo CDS). Mas isso para um ministro não conta propriamente para muito. Vamos ver como se sai.
Álvaro Santos Pereira na Economia. Simplesmente não conheço.
Nuno Crato, independente, na pasta da Educação. Quando me contaram disse imediatamente: ena, excelente! Mas acrescentei: bom, é bom que ele agora que está com a mão na massa seja tão incisivo, lúcido e prático como sempre demonstrou ser quando não tinha qualquer responsabilidade governativa. Acho que tem tudo para fazer um bom trabalho.
Paulo Macedo na Saúde. Não sei quem é. Mas sei que Correia de Campos, o ex-ministro da Saúde, disse ser uma «excelente escolha», o que não é mau sinal.
Ainda não consegui ver quem será secretário de Estado. Mas já sei que Francisco José Viegas será o secretário de Estado da Cultura o que também me parece ser uma muito boa escolha.
Votos de sucesso para este XIX Governo Constitucional.
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segunda-feira, 6 de junho de 2011
Portugal tingido de laranja
Sobre estas últimas legislativas apraz-me registar a confirmação da subida do PNR, um sinal que pessoalmente considero preocupante, que já aqui tinha referido.
Desta feita chegou às três décimas com mais de 17 mil votos.
O MRPP é o primeiro partido dos pequeninos e surpresa das surpesas, o Partido pelos Animais e pela Natureza (e não dos e da - eles não gostam e bem) ficou logo atrás do MRPP com mais de um por cento dos votos, significando mais de 57 mil votos neste partido que viu a luz do dia em Janeiro deste ano.
Está o PAN de parabéns, na pessoa do seu Presidente, Paulo Borges, que tão bem falou quando teve tempo de antena há uns tempos na RTP, por alcançar um resultado absolutamente fantástico e que superou todas e quaisquer expectativas.
O voto em branco chegou quase aos três por cento, o que significa que se fosse um partido quase podia ter eleito um deputado.
Sobre o Bloco de Esquerda, o maior derrotado destas eleições a par com o Partido Socialista, fica a nota negativa pelo facto de Francisco Louçã não se ter demitido passando assim o ónus da sua liderança para os militantes do seu partido. Portas fê-lo há uns anos, regressou pouco tempo depois e veja-se agora o que conquistou.
No Bloco há gente indignada, como ouvi ontem no Eixo do Mal Daniel Oliveira, militante e antigo dirigente do BE, por Louçã não se ter demitido. Afinal de contas, perderam metade dos deputados.
Eu até acho que o BE é um pouco como o CDS: sem os seus respectivos e actuais líderes ficam, julgo, a perder. Mas como referi, não custava nada Louçã ter-se demitido e depois, quem sabe, voltar em força depois de submetido a sufrágio junto dos militantes do seu partido.
Quanto ao resto, foi importante ter-se alcançado este governo de maioria. À falta de melhor, que se tenha o mínimo dos mínimos: uma estabilidade política e institucional e que não haja quaisquer desculpas para se poder governar com serenidade e de acordo com os princípios que os partidos que formarão governo preconizam.
Desejo sorte ao próximo governo e, sobretudo, a Portugal.
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Política
terça-feira, 31 de maio de 2011
Ainda há gente séria na política
Aqui.
Não tendo eu sequer qualquer afinidade particular com o PCTP/MRPP, antes pelo contrário, se é que é preciso fazer esta ressalva.
Não tendo eu sequer qualquer afinidade particular com o PCTP/MRPP, antes pelo contrário, se é que é preciso fazer esta ressalva.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Não havia necessidade Coelho, zzz, zzz...
Sucessivos empates técnicos entre PS e PSD é o que as últimas sondagens sobre as eleições legislativas têm mostrado.
O que esta e outras sondagens mostram também é que o cenário de coligação entre PSD e CDS é bastante provável.
Paulo Portas no frente a frente com Passos Coelho fartou-se de atirar à cara do líder social-democrata o facto deste ter optado por não ir coligado com o CDS para estas eleições e efectivamente verifica-se que foi uma má jogada (mais uma) por parte do PSD.
PSD conseguir uma maioria absoluta sozinho seria uma missão quase impossível ainda para mais com uma popularidade bastante aceitável de Sócrates junto do eleitorado não obstante seis anos de uma governação socialista, no mínimo, discutível.
Pedro Passos Coelho parece por isso ter uma apetência natural para ficar mal na fotografia.
Foi assim no último Congresso do PSD onde se expôs ante Alberto João Jardim com este a virar-lhe as costas (mais tarde houve aparente entendimento); foi assim com o episódio Fernando Nobre, valendo-lhe duras críticas de António Capucho (com aspirações legítimas à Presidência da Assembleia da República apesar da sua saúde ter sido invocada para não continuar a exercer a presidência da autarquia de Cascais) e outros notáveis do PSD; e agora com Paulo Portas expôs-se ao que parece mais do que evidente eu bem te avisei! do líder do CDS.
É certo que o cenário a manter-se assim - o que não acredito pois em três semanas ainda muita tinta pode correr - não está posta de parte a coligação PSD/CDS, simplesmente Passos Coelho escusava-se a dar o braço a torcer, politicamente, como tem sido seu apanágio até agora, apesar de quase sempre fazê-lo com sucesso.
Convenhamos que a coligação PSD/CDS e um governo com maioria no parlamento para os próximos quatro anos é neste momento o menos mau dos cenários e aquele que dará maior estabilidade política para o cumprimento de um programa aplicado pelo triunvirato (como o CDS gosta de chamar, e bem!).
Só assim se evitam as novelas desagradáveis que aconteceram no segundo mandato socialista sem maioria onde o show político e a luta pelo poder na «Casa da Democracia» chegaram a ser deprimentes.
Um crescimento preocupante
O partido da extrema direita, o Partido Nacional Renovador, tem tido um paulatino crescimento desde que participou nas primeiras eleições legislativas em 2002. Então teve quase cinco mil votos (0,09%). Em 2005 obteve mais de nove mil votos (0,16%), e em 2009 chegou já às duas décimas com cerca de 11500 portugueses a votar neste partido.
Estou curioso para ver se nas próximas eleições o crescimento se manterá ou não, este crescimento da direita radical que se tem verificado um pouco por toda a Europa.
Preocupante, no mínimo.
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sexta-feira, 13 de maio de 2011
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Jerónimo nota mais, Passos Coelho nota menos
Tenho um amigo que me dizia, em bom português, quando a sua profissão o obrigou a fazer Lisboa-Madrid e vice-versa semanalmente, que «andar de avião é como cagar: não gosto muito, mas tem de ser...».
É um pouco assim que sinto Passos Coelho quando vai a programas de humor. Já assim tinha acontecido no Esmiúça os Sufrágios, dos Gato Fedorento, e agora novamente no 5 para a meia-noite.
Não gosta muito, mas lá tem de ser.
Esta semana, de segunda a sexta, os cinco candidatos às Legislativas vão a este programa na RTP 2. Três já foram, faltam Sócrates e Portas.
Jerónimo: excelente. Deve ser provavelmente das poucas vezes onde a sua presença em TV sobressai, ganha pontos e cria empatia com o espectador. A apresentadora também ajudou com uma excelente preparação e condução do programa (Nilton esteve péssimo esta quarta).
O facto de Jerónimo de Sousa se apresentar no programa como se num café estivesse, à conversa com a apresentadora, é mais do que o suficiente para que o grande objectivo desta presença na TV seja alcançado: ganhar popularidade e empatia junto de quem o vê. Se ganhar um voto, melhor ainda. Brilhou.
Louçã é o costume. Não dá parte fraca; jamais. Não consegue (nem quer) nunca despir o fato de político, puro e duro, não obstante soltar as suas gargalhadas (forçadas, parece) e ser muito bom a ir na conversa e no guião do programa. Ou seja, não borra a pintura, mas também nunca é aproveitado o facto de estar num programa de humor para mostrar outras facetas porventura mais terrenas. Já no programa dos Gato Fedorento foi a mesma coisa, sendo que aí a sua contenção foi ainda mais evidente ao não ter entrado em nenhuma piada e declamando sempre a sua cassete política. Desta vez foi bastante mais positivo, entrando poucas vezes na lenga-lenga política, mas assim que a oportunidade surgia, claro que aproveitava. É melhor que Passos Coelho, pois não abusa. Sabe manter o equilíbrio.
Quanto ao programa do Nilton, com Passos Coelho, foi o mais trapalhão. O programa, o Nilton e Passos Coelho. A começar no stand-up inicial desastrado, passando pelos sketches de qualidade duvidosa e a acabar na má (ou pouco boa...) prestação de Coelho.
Coelho tenta muitas vezes dar o mote e tomar iniciativa nas piadas. Isso pode dar alguns dissabores... e deu, a meu ver. Nomeadamente quando entrou pelas piadas do «tudo à grande» (uma rubrica do Nilton) metendo a sua mulher à mistura e tudo, no quarto deles, deixando subentendido piadolas sexuais, etc. Esse momento foi mesmo a cereja no topo do bolo.
Se quando eu entro pelos mesmos caminhos, no meu círculo de amigos, e muitas vezes nem piada tem, muito menos piada terá num candidato a primeiro-ministro na televisão (que o faça em privado com os amigos, espero que sim, que dá saúde e faz crescer!).
Quando quero sei ser palhaço e percebi que Passos Coelho também o sabe fazer. Mas não é isso que se quer ali. O que se quer ali é que sejam terrenos, tão-só. Que não discursem eloquentemente sobre o deficit, a troika, o FMI, o TGV e por aí fora. E pronto. Não é preciso ir mais além. Não é preciso dar show. Isso é o papel do programa, não do convidado.
Não me interessa que o meu primeiro-ministro saiba ser palhaço. Interessa sim ter sentido de humor e que saiba encaixar umas piadas. Mas sobretudo, que seja terreno, um homem vulgar.
É a principal imagem que interessa passar em programas deste género.
Até no aspecto formal Passos Coelho conseguiu falhar: extraordinário. Foi o único que não se sentou na ponta do sofá. Com isso, apareceu muitas vezes no plano com os braços cortados em vez de aparecer natural e descontraidamente com o braço e a mão em cima do braço do sofá. Pormenores, eu sei, mas perguntem lá ao Luís do Sócrates se isto não conta. Ó se conta... E Eduardo Cintra Torres julgo que diria o mesmo, meu antigo professor e crítico de televisão. Mostrar as mãos em televisão, é um must. E não só em televisão.
Nota curiosa para o uso do SL Benfica nestas demonstrações de terrenidade, mas é compreensível dada a sua comum conotação como «clube do povo». Se ao Jerónimo foi normal essa demonstração (para quem já esteve inclusive na Benfica TV a ser entrevistado), já a demonstração terrena de Passos Coelho pareceu forçada. Adorei quando diz, rapidamente e num volume de voz mais baixo que «não sou sócio, mas...». Porque se ser do Benfica é ser mais popular (assim numa análise muito crua, claro) ser sócio (!) então dá aquela conotação ainda mais... firme e popularucha (daí ter dito, quase envergonhado, que não era sócio, como se isso fosse alguma vergonha...).
Foi pena pois seria um toque popularucho a dobrar! É do Benfica? Eh pá, espectáculo! E sócio também? Fogo, aquilo é que deve ser amor ao clube. Fica sempre bem, ele sabia e por isso deixou-se envergonhar, ainda que por breves segundos (estava aqui a pensar para com os meus botões e não me lembro de em tempo algum ver Sócrates numa posição destas, quase envergonhado, nem mesmo em matérias muitíssimo mais delicadas, just sayin'). E seria a triplicar, pois conseguiu aglutinar os dois maiores clubes de Lisboa dizendo que a sua mulher é do Sporting e pronto, fica mais ou menos dada uma no cravo e outra na ferradura.
Para concluir, Passos Coelho é muito melhor no papel de político do que no papel de homem vulgar.
Esperemos então por Sócrates (também gosta pouco desta exposição) hoje à noite e por Portas (mestre nestas lides!) na sexta.
Estarei cá para dizer de minha justiça.
5 para a meia-noite do Jerónimo.
5 para a meia-noite do Louçã.
5 para a meia-noite do Passos Coelho.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Cretino? Sim. Palhaçada? Não.
Marinho e Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados, diz que a coisa já começou em 2005 - a paixão que o Bastonário nutre por Manuel António Pina (MAP), jornalista e escritor.
Para não ir tão longe no tempo, pode-se começar exactamente por aqui, um artigo de opinião de MAP.
Vai daí, Marinho e Pinto nem hesita: recorda o ilustre treinador Manuel Machado quando este disse, em relação a Jorge Jesus, que um «um vintém é um vintém e um cretino é um cretino» e usou esta muleta para retratar MAP. Aqui, precisamente.
A novela, para já, fica por aqui. Um camião sem travões, é o que chama MAP a Marinho e Pinto.
Recorde-se que foi este mesmo jornal, o Jornal de Notícias, que não publicou este artigo de opinião do jornalista Mário Crespo onde volta e meia diz que uma alegada conversa entre o primeiro-ministro José Sócrates e alguns dos seus ministros sobre Crespo (entre outros «problemas» a «necessitar de solução») não passou tudo de uma palhaçada.
Alcoviteirices e lavagem de roupa suja nos jornais - um dos paradigmas actuais.
E dois pesos e duas medidas. Um «25 de Abril» aplicado num caso e não aplicado no outro.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Água na boca
Bem, eu não acredito que em Junho o PSD consiga maioria absoluta. Mesmo somando os votos do CDS. Depois do episódio Nobre, não acredito.
Também não acredito que Sócrates a consiga.
Sendo assim, a coisa está mal parada.
Também não acredito num «Governo de salvação nacional». Ou melhor, não acredito que venha a existir um; não que não tivesse pernas para andar.
Também não acredito num Governo PS mais PSD mais CDS, como Portas chegou a propor.
E uma aliança do Bloco Central ainda menos acredito, vide Sócrates e Passos Coelho.
Na cena política os passos seguintes são muitas vezes identificados a priori mas, desta feita, não se vislumbra nenhum passo particularmente firme. Por isso é que estou ansioso, se me permitem, para perceber quais os próximos desenvolvimentos desta nossa novela nacional.
Devem ser deliciosos, como sempre.
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terça-feira, 12 de abril de 2011
O torcicolo de José Sócrates
Quando um teleponto falha, o resultado pode ser uma valente dor reumatismal nos músculos do pescoço, vulgo torcicolo.
Foi quase isso que aconteceu a José Sócrates no passado fim-de-semana no XVII Congresso Nacional do PS, quando discursava com um teleponto de cada lado, estilo Barack Obama.
Aqui, o teleponto funcionava bem: o da esquerda e o da direita.
Mas aqui, o teleponto da direita, do ponto de vista de Sócrates, falhou. Pois então teve que estar 53 minutos a discursar com o auxílio de só um teleponto, coitado.
Veja-se como, por uma vez na vida, José Sócrates esteve verdadeiramente virado para a esquerda.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Faits divers
A moção de censura do Bloco é o faits divers da semana que passou e da semana que aí vem.
Faits divers.
Não há mais nada, também. Tirando a senhora esquecida há quase uma década, o amigo Mubarak e o faits divers chamado moção de censura também conhecido, entre o PSD, como jamais-votaremos-a-favor-de-uma-moção-vinda-da-esquerda-radical.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Presidenciais 2011
Cavaco Silva é o Lothar Matthäus desta candidatura. Em tempos idos, onde jogava mais à frente no terreno, alcança os seus maiores feitos tendo chegado a primeiro-ministro e ganhando um Campeonato Europeu pela mannschaft na década de 80. Mais tarde, chega à Presidência da República e ganha um Campeonato do Mundo. Vai recuando no terreno, passa a jogar mais à defesa, mas a sua técnica aliada ao seu currículo continua a chegar e a sobrar para a concorrência. Nem sempre tem as tiradas mais felizes, mas é sólido como um todo. Estará no papo.
Manuel Alegre é esforçado mas não gosta de sujar os calções. Nem de longe nem de perto um Nené, é mais um Hugo Viana. Tem as ferramentas para ser um jogador/político de topo mas a carreira passou-lhe - quase - completamente ao lado. Talvez numa outra vida, e se não houvesse Cavaco, claro, vingaria. Sendo assim, por raramente meter o pé em lances divididos com medo de se lesionar ou de ficar mal na fotografia, contentar-se-á com o primeiro lugar dos últimos. E isto se não houver surpresas nos seus perseguidores directos, claro.
Fernando Nobre tem boas intenções, mas nem sempre parece compreender as lógicas técnico-tácticas do jogo. Falta-lhe pedigree, se se quiser. Não tem escola, e depois isso no terreno de jogo é implacável. Apareceu tarde na cena e com isso estará para sempre uns furos abaixo dos seus adversários. Nobre é o Hugo Vieira (ex-Sporting) deste campeonato.
Francisco Lopes é o Vandinho desta competição. Joga na certa, não inventa, seguro nas suas intervenções. Raramente borra a pintura mas também não faz nenhuma exibição de encher o olho. Além disso, na equipa em que joga - os vermelhos, claro - dificilmente alguma vez ganhará algum troféu. Tem umas quantas velhotas que lhe piscam o olho na rua, vá-se lá perceber como tendo em conta a sua estrutura facial.
Defensor Moura tem uma espécie de Taça da Liga no seu palmarés - autarquia de Viana do Castelo, parece. Não é mau, mas fica aquém das expectativas. Não tem muitos mais argumentos do que a cacetada - forçadamente dissimulada - e um nível um pouco mais rasteiro do que a média do campeonato. Sem classe, faz lembrar Paulinho Santos na forma de jogar. Só na forma de jogar. Nos troféus nem há comparação.
José Manuel Coelho é show de bola. Incompreendido por muitos, é capaz de fazer exibições de encher o olho. Só ainda não percebi se pela positiva se pela negativa. Valeu a sua participação no torneio para animar as hostes e pouco mais que isso. Um jogador sem igual!
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
A chávena de café
Bebo café com a mão esquerda.
Porquê?
Porque toda a gente bebe com a mão direita? Não.
Bebo café pegando na pega da chávena com a mão esquerda pois como toda a gente sabe que por toda a gente beber café com a mão direita, toca tudo a ir beber com a mão esquerda, acabam por beber com a mão direita. E pensam: ah, ah! Já vos tramei!
Ora, então eu bebo com a mão esquerda pois como sei que toda a gente por saber que toda a gente vai fazê-lo acaba por beber com a mão direita, eu, por saber exactamente isso também, então bebo com a mão esquerda! Ah, ah! Já vos tramei!
Confusos? Também eu sim.
Faz lembrar aquela congressista, num qualquer Congresso de um partido político cá do burgo, que volta e meia disse: eu sei que o senhor sabe que eu sei que sabe que eu sei que o senhor sabe que sabe!
Bravo!
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Ernâni Rodrigues Lopes
Partiu Ernâni Rodrigues Lopes.
Portugal (para não me esticar mais) ficou intelectualmente (no mínimo) mais pobre.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
sábado, 30 de outubro de 2010
Às 23h19
Recebo no telemóvel (via Vodafone/Público):
- Eduardo Catroga e Teixeira dos Santos assinaram ontem às 23h19 o acordo que permitirá viabilizar o OE 2011.
Não, não. Está tudo parvo? Foi às 23h19. Não foi às 23h18 nem tão-pouco às 23h20.
Então? Mas andamos a brincar, ou quê? Vamos lá fazer bom jornalismo pondo os pontos nos ii.
Mau...
Rigor, isenção e objectividade. Sempre! Semper fi! Já diziam os marines.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Diagnóstico? Sim. Solução? Não.

O diagnóstico da economia portuguesa está traçado. Milhões e milhões de dívidas, vai-nos contando Medina Carreira agora todas as semanas não obstante Portugal não estar propriamente tão mal na fotografia quanto se faz transparecer quando comparado com outros parceiros europeus.
No outro dia, tomei igualmente conhecimento do diagnóstico traçado por Daniel Bessa e João César das Neves.
Até aqui, tudo bem também. Tudo claro. Tudo cristalino. Três diagnósticos na mouche.
Mas cascar no ferido Portugal - sofrendo da actual conjuntura mas também, como não podia deixar de ser, de devaneios de políticos, politiqueiros e politiquices, com certeza - começa a ser já tradicional. É fácil: o diagnóstico está mais do que traçado. Os números estão aí, os gráficos também. Tal como disse Guterres: é fazer as contas...
É que cascar no ferido Portugal, quanto a mim, nenhum mal advém daí.
O problema está quando - depois do diagnóstico - as soluções são só superfluamente afloradas.
Pouco mais se avista senão a constatação de factos contribuindo pouco ou nada na busca de novas soluções, de novos medicamentos, de novas receitas.
O diagnóstico está feito. Falta o resto; tudo o resto.
domingo, 17 de outubro de 2010
Ainda o 5 de Outubro...
Um velho conhecido, Duque de Saldanha, costumava contar-me que, quando ia a entrar numa auto-estrada e se deparava com a portagem dizendo retire o título dizia-me ele em tom jocoso:
Ah, cabrões dos republicanos, pá!
Nota: história, naturalmente, com direitos de autor.
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